quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

O avesso da rotina

Quando eu me vejo repetindo a eu que fui ontem fico com medo, um medo de ter me entregado a rotina, um medo de ser aquela pessoas que todos os dias, às 5h40 se levanta, pega o ônibus 10 minutos depois com o mesmo motorista, senta na mesma poltrona, dá o mesmo bom dia. O medo de ser uma pessoa 'mesmo'.  Sabe aquela sensação terrível de contar a mesma história trezentas vezes?! Eu realmente me assusto quando sinto. 

Imaginar-se repetitiva e previsível não é algo agradável. É exatamente como encontrar um amigo que não vê há vinte anos e ouvir que você permanece como as mesmas manias. Claro que ninguém é obrigado a ser uma 'metamorfose ambulante' mas ser 'todo dia ela faz tudo sempre igual' vai levar apenas ao caminho previsível de ser mais um. 

Há de ter quem assim prefere, quem se sente seguro dentro da rotina, porque realmente é muito mais seguro ter sempre o mesmo roteiro, os mesmo amigos, ir passar o Natal na mesma cidade e receber trocentas ligações por não ter chegado em determinado lugar naquela mesma hora de sempre, as pessoas irão se assustar porque  isso nunca aconteceu antes. Coisa mais chata é o mundo não ter expectativa sobre você. Afinal, você é sempre o mesmo.

Experimente mudar. Se atrasar, mudar o caminho, fazer um curso de artes, de informática avançada, frequentar uma festa hippie, passar uma tarde em uma livraria, somente pelo prazer de conhecer outros costumes. Experimente não se acostumar, juntar dinheiro e conhecer um novo Estado, mudar o lado que você dorme na cama, trocar de travesseiro, vestir uma roupa pelo avesso. Experimente não fazer nada disso que eu disse, fazer tudo ao contrário. 

Mas pelo amor de Deus, não carregue seu dia como quem carrega uma cruz, não trate sua vida como a coisa mais chata do mundo, não deixe a diversão só para as farras quando você só consegue sorrir quando está sob efeitos de substâncias. Seja a sua substância de vida. Seja você a sua vida. Seja a sua rotina e não se entregue a mais nenhuma.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

graças ao teu amor

Odeio engarrafamento. Encurta o tempo, a paciência, a vontade de apreciar o que tem ao redor. Diminui os sorrisos, os cumprimentos, a camaradagem. Quando me vejo em um engarrafamento a única vontade que perdura em mim é a de correr dali, correr com todo o fôlego que meus vinte e poucos anos me permite ter, correr furiosamente para longe, fugir do que me prende, do que sufoca, do que irrita. 

E eu bato de frente com você, com toda a paz que sua voz me transmite, uma voz que me transporta, como um passe de mágica para o paraíso real. Tal lugar que só o amor pode levar. E se você me acompanha, eu desejo que o engarrafamento nunca acabe. Porque de tudo que tudo que me prende, você é o que me dá prazer. O prazer de estar em qualquer lugar onde você está.

Basta nada

Viver é um momento. Contemplar.  Viver é um sopro. Lembro-me do primeiro contato com o morrer. Eu tinha cerca de cinco anos. De mãos...