quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Véspera dos vinte anos.

Fui criada por pessoas que acreditavam que a melhor forma de me proteger era me guardando. Me guardando de todo o resto do mundo em uma caixa protetora. Eu me sentia confortável até o dia em que precisei sair da caixa. Que depois eu descobri que era muito frágil e pequena, e que já não me cabia dentro. As pessoas, minhas protetoras, se apavoraram por ver que eu não era mais aquele ser mirrado que acreditava com todas as forças que se amarrasse uma fita no braço o seu pedido seria realizado no dia seguinte. Sempre fui uma criatura imediatista, o hoje e o agora eram únicos e eu vivenciava isso. Com dezoito anos, o ano em que me retirei totalmente daquela caixa, tatuei nas costas "memento mori" eu queria mostrar o meu imediatismo e ao mesmo tempo dizer que não podiam mais me manter naquela pequena caixa. Eram apenas rabiscos de tinta nas costas, mas ficariam para sempre e eu tinha escolhido isso. 

Por viver na caixa eu era uma pessoa amedrontada, ansiosa, mas lá dentro eu pude aperfeiçoar outras peculiaridades que me faziam ser maior do que parecia ser. Eu gostava de ver além, de pensar além...vez ou outra tinha medo do que via, até porque às vezes enxergava o que não existia, o que me fazia ter ainda mais medo de viver fora da caixa. Medo do invisível. Mas era hora de sair. Minhas pernas já não cabiam lá e o meu pensamento menos ainda. Sim, estava na hora.

Meu horóscopo diz que neste ano que chega eu preciso ser cautelosa para as mudanças que virão. Porque elas virão. E mesmo com um pouco de medo delas, eu as desejo. Porque mesmo crescendo dentro de uma caixa pequena, eu cresci. E estou aprendendo a me movimentar do lado de fora, o que não é fácil. Mas é prazeroso e acrescentador. É...preciso tatuar outra coisa em 2011: INTREPIDUS. isso é em latim, mas quer dizer: destemido. Que é o que serei daqui para frente.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Sábado, Natal e vida.

Nascer em uma data com um significado do tipo da que eu nasci me fez ser uma pessoa em uma busca eterna. Uma busca que me revigora e que me faz sentir ser humano. Porque eu entendi que humanidade é sentir plenitude e só se chega perto do pleno quando se sente amor.

Estava assistindo agora um desses filmes que se repetem nas tardes de sábado e eu senti uma felicidade imensa me consumir, eu não tinha as melhores coisas e eu não era a pessoa que eu achava que deveria ser, mas tinha sentimentos. Sentimentos que me permitiam ver além daquelas cenas já decoradas. Faltam seis dias para o Natal e seis dias para o meu aniversário. Eu vou fazer vinte anos e a ficha ainda não caiu. Quando eu ainda vivia no interior de onde eu sai, e passava minhas tardes embaixo do pé de jambo falando em um telefone velho como se tivesse resolvendo grandes negócios e falando que "quando eu era grande eu era a Angélica" eu não imaginaria que hoje estaria assim, prestes a completar duas décadas, a verdade é que eu ainda não sou famosa como sair predestinada a ser, mas já tinha conquistado muitas coisas. Na verdade, não eram tão grandes assim mas podem ser consideradas significativas. Eu continuo recortando revistas para fazer capas de caderno, mas agora eu trabalho e tenho um salário. Juntando tudo que já conquistei o grande quebra-cabeça da vida vai se juntando, são poucas peças que estão encaixadas, mas eu me sinto forte, ainda tenho muito tempo.  
E como eu disse no início, eu sou uma pessoa que busca, não tenho garantias que meus planos darão certo, nem não tenho certeza do que eu quero, mas são coisas concretas que mantém aqui. Foram sentimentos de verdade que me trouxeram até aqui. São muitos sonhos. E eu não vou embora sem a realização deles. Eu não preciso de muitas coisas para me fortalecer, às vezes um simples filme repetido em uma tarde de sábado serve para me revigorar. E é assim que me sinto agora.

"Eu vejo a vida tem vários caminhos
E entre eles o destino improvisa
Os pequenos detalhes da vida
Resposta esta escondida"

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

às vezes faço o que quero, às vezes faço o que tenho que fazer.

     Reiventar. Sempre gostei dessa palavra, ela por si só já é renovada, afinal não é inventar. Reiventar é inventar novamente, por cima do que já existe. Nós já existimos e precisamos ter esse desejo vivo de se reiventar a cada dia. Esse foi um ano para me reiventar, que desde o início foi um ano do tipo 360º. Daqueles que te reviram e quando você já está confortável de cabeça para baixo de coloca de pé novamente. Não deu tempo de deprimir, nem de chorar, nem tampouco de escrever sobre ele. Passou voando. E hoje, eis me aqui pensando sobre ele.                                                                                         
    Comecei mudando, não internamente, mas de casa. Ou melhor, fui para um apartamento. Morar com mais três pessoas, me desafiando a morar com pessoas amigas mas que eu não tinha contato diário. Como todo começo foi complicado mas no decorrer da convivência foi descomplicando, porque graças a Deus eu tenho a capacidade circense de me contorcer para enfim me adequar ao ambiente me que estou. E foi um ano tranquilo quanto isso, a saudade de casa não foi tão grande, a saudade que era insuportável foi se transformando em uma falta natural. Aprendi a ser só eu para resolver minhas coisas. É assim a lei da vida, não é?! Uma hora a gente tem que crescer. Me apaixonei pelo jornalismo, odiei ele, quase troquei para psicologia, desisti e me apaixonei novamente.      
     Queria trabalhar, arranjei uma entrevista em uma clínica, desmaiei quando vi sangue. Um semana depois arranjei uma entrevista de estágio, mas eu ainda não sabia o que era lead no jornalismo e me ferrei. Dois dias depois coloquei no twitter que queria um estagio, retwitaram, fui pra entrevista, e num dia chuvoso consegui a minha vaga em uma assessoria de imprensa. Aos poucos fui aprendendo que assessoria não é jornalismo e fiquei na dúvida no que quero realmente. Tenho dois chefes super bacanas que me ensinaram a colocar o verbo dicendi nas falas em textos e a ser mais crítica com o que acontece a minha volta. Trabalho de manhã, às vezes acordo com péssimo humor, mas quando saio e vejo o solzão e recebo o bom dia do porteiro do meu local de trabalho eu volto a sorrir e agradecer a Deus por estar viva.
   Esse ano eu percebi que digo besteiras demais e que preciso controlar os meus pensamentos. Quase perdi em uma matéria da faculdade, mas o professor foi compreensivo e me deu os cinco décimos. Conheci lugares legais, pessoas bacanas, fui em mais festas, dei mais risadas, me arrisquei a viver, ganhei um namorado que é um presente, apresentei ele a meu pai para então perceber que uma hora é preciso enfrentar a fera. 
     2010 não foi tão transformador como eu pensei que seria, chego em dezembro, dia oito, às oito horas da noite, com algumas poucas certezas, muitos planos para 2011, uma vontade louca de viajar por aí, de fazer uma tatuagem no ombro, de ler 250 livros, de cursar uma universidade federal e de ter uma mochila bem grande que caiba tudo que eu quero levar pro mundo. Eu ouvi uma frase esse ano que me valeu por tudo que já ouvi: " Vá conhecer o mundo, pra ele te conhecer, é uma troca." É isso aí.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Muito além da calçada ou do fim.

Vez ou outra a gente tropeça no nosso orgulho, sente raiva, o corpo desequilibra, pende para cair,balança pro lado, segura nas pontas da verdade e não cai. Essa verdade que salva é muito mais que uma simples verdade. é uma verdade completa que preenche todos os poros, espaços vazios e é a sustentabilidade de todo o resto do corpo. Vai ser sempre assim.
O orgulho só é possível quando nos é dado espaço e pra uma pessoa aceitar seu orgulho e permitir que você expanda além dos limites do seu corpo um sentimento tão superestimado, no mínimo tem muito sentimento bom ali. As pessoas normais são egoístas demais para suportarem emoções um tanto quanto egoístas. Só sendo extremamente altruísta para compreender ataques de orgulho. Mas há outro sentimento que suporta, o maior de todos os outros.
Ele é o maior de todos os outros, mas não se vangloria disso. Pelo contrário, a humildade que nutre esse sentimento faz ele ser até um pouco tolo, o que permite que outros, como o orgulho, façam ele se sentir pequeno.

Mas não! Não, nobre amigo. Tu és o maior de todos. O mais puro. E o que me permite dizer isso com mais força é que tu não vais aproveitar desse meu momento de declaração para mostrar-me que horas mais cedo eu estava errada. Sim, eu errei. E todas as vezes que eu erro antes mesmo que eu peça perdão, eu estou perdoada. Isso só acontece porque o alimento que lhe fortalece é muito mais completo que qualquer outro. E eu me sinto feliz por você existir. Acima de qualquer outra coisa, de mim, do orgulho, da violência, do medo. Você existe, nobre amigo. E isso de alguma forma me faz continuar, me faz não desistir...Por ora é só isso. O que não considero pouco. Mas o suficiente pra te agradecer por esses dez minutos te descrevendo que me fizeram refletir...e pedir perdão novamente, pela minha arrogância, meu orgulho e minhas tolices. Se saio daqui mais tranquila, é somente porque tu existe. Não só em mim. Mas em todos os cantos, na catracas, nas luzes, nos olhares, no elevador...na vida...ele está lá...Nobre amor, maior entre todos. Soberana humildade. Verdade absoluta.

Basta nada

Viver é um momento. Contemplar.  Viver é um sopro. Lembro-me do primeiro contato com o morrer. Eu tinha cerca de cinco anos. De mãos...