Fico aqui, perdida, tentando criar uma maneira de guardar o que não é usado. Tenho pouco espaço embaixo da cama, não cabe caixas no meu quarto, onde pôr o que não quero jogar fora? Sabe, eu não sei. Minha mãe com sua tamanha sabedoria me incentivava a fazer sempre uma faxina, deixando os espaços limpos e livres para o que chegue de novo. Mas desfazer dos cacaricos não é tarefa da mais fácil. Tenho apego por tudo. Por lembranças que são ativadas por objetos que não são mais usados. Mas é preciso se livrar...
Acho que não cresci, me vejo aquela ainda, a de antes, a mesma.
terça-feira, 15 de maio de 2012
segunda-feira, 23 de abril de 2012
MU- Andança
Eu não sei de nada, que não seja verdadeiro. É uma ignorância velada em se perceber errante e egoísta no que diz respeito a saber, mas eu prefiro assim. Tantos forasteiros que já chegaram como quem soubesse de alguma coisa e levava com eles, sem permissão, as forças de recomeçar. Demorou, mas chegou o dia. Hoje é o dia D, dia de se perceber mulher, grande em sentimentos e como é gratificante. Toda a ironia sentida, toda falta de retorno se transformou em vida. Em coragem. Eu me conduzi para estar no patamar que estou hoje. Uma filha da dúvida, mas feita com verdade. Esse é o ingrediente especial.
Sim, você, eu escolhi viver, sem máscaras duras, sem me grudar em medos tênues. Com medos maiores, porque essa é a consequência de quem define sua vida como grande. Que consequência saborosa e estimulante. Prazer em saber que posso ser assim. Eu não sei de nada, que não seja por verdade. E mesmo diante das fraquezas, essas existem aos montes, tem o amor.
Ah, o amor...O amor propriamente próprio, o amor pelo outro também, porque não? O amor que passa pela fraqueza e deixa bons rastros. Esse eu tenho aos montes. Porque eu passo pelo dia e ofereço amor. Como quem tem uma cesta de pétalas de flores, semeio, por onde passo.
E por agora, é só. É só viver e só.
sábado, 21 de abril de 2012
Dia de sábado
É feriado. É sábado. Mas o maldito costume me acordou logo cedo, acordei com vontade da casa cheia, dos tempos que morava na casa da minha avó, da mesa posta, do café pronto, nada demais me esperava, só o vazio da pequena caixa de concreto onde moro. É assim mesmo, não reclamo. É engraçado pensar como a vida nos transforma, de tal forma, a muitas vezes lembrar do passado nos fazendo questionar se ele realmente existiu.
Hoje é sábado, não tem casa de vó e nem tem feira. Sim, todos os sábados eu ia para feira, e com cinco reais era a pessoa mais rica do mundo, comprava uma fita K7, uma caixinha com misses e uma tubaína. Todos os sábados a mesma coisa, até eu percebe que não se vendia mais fita K7, nem tubaína, só os misses, mas esses já não serviam no meu cabelo. Na verdade, hoje tem feira, e eu estou em outro lugar, fazendo outras coisas, é a lei da vida, foram as escolhas da minha vida. Eu poderia tá no mesmo lugar e fazendo as mesmas coisas sendo a mesma pessoa. Mas e quando minha avó não estivesse mais lá? E nem a casa? Só a feira nos dias de sábado. Quem eu seria afinal?
Quem eu seria se não tivesse saído de lá, se eu não tivesse crescido, se eu não tivesse estudado, se tudo fosse vago? Poder perceber o quanto escolhas são determinantes é uma experiência fantastica, se perceber protagonista, como sempre sonhei. É estranho, dá medo, mas no fundo é bom. O costume me acordou logo cedo, coisa de quem precisa sair seis da manhã para trabalhar, coisa de quem escolheu isso para a vida. E não reclamo por ver o sol sair devagar, por andar nas ruas sem trânsito, por sentir a brisa da manhã fresquinha. Mas afinal, hoje é sábado.
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
O avesso da rotina
Quando eu me vejo repetindo a eu que fui ontem fico com medo, um medo de ter me entregado a rotina, um medo de ser aquela pessoas que todos os dias, às 5h40 se levanta, pega o ônibus 10 minutos depois com o mesmo motorista, senta na mesma poltrona, dá o mesmo bom dia. O medo de ser uma pessoa 'mesmo'. Sabe aquela sensação terrível de contar a mesma história trezentas vezes?! Eu realmente me assusto quando sinto.
Imaginar-se repetitiva e previsível não é algo agradável. É exatamente como encontrar um amigo que não vê há vinte anos e ouvir que você permanece como as mesmas manias. Claro que ninguém é obrigado a ser uma 'metamorfose ambulante' mas ser 'todo dia ela faz tudo sempre igual' vai levar apenas ao caminho previsível de ser mais um.
Há de ter quem assim prefere, quem se sente seguro dentro da rotina, porque realmente é muito mais seguro ter sempre o mesmo roteiro, os mesmo amigos, ir passar o Natal na mesma cidade e receber trocentas ligações por não ter chegado em determinado lugar naquela mesma hora de sempre, as pessoas irão se assustar porque isso nunca aconteceu antes. Coisa mais chata é o mundo não ter expectativa sobre você. Afinal, você é sempre o mesmo.
Experimente mudar. Se atrasar, mudar o caminho, fazer um curso de artes, de informática avançada, frequentar uma festa hippie, passar uma tarde em uma livraria, somente pelo prazer de conhecer outros costumes. Experimente não se acostumar, juntar dinheiro e conhecer um novo Estado, mudar o lado que você dorme na cama, trocar de travesseiro, vestir uma roupa pelo avesso. Experimente não fazer nada disso que eu disse, fazer tudo ao contrário.
Mas pelo amor de Deus, não carregue seu dia como quem carrega uma cruz, não trate sua vida como a coisa mais chata do mundo, não deixe a diversão só para as farras quando você só consegue sorrir quando está sob efeitos de substâncias. Seja a sua substância de vida. Seja você a sua vida. Seja a sua rotina e não se entregue a mais nenhuma.
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
graças ao teu amor
Odeio engarrafamento. Encurta o tempo, a paciência, a vontade de apreciar o que tem ao redor. Diminui os sorrisos, os cumprimentos, a camaradagem. Quando me vejo em um engarrafamento a única vontade que perdura em mim é a de correr dali, correr com todo o fôlego que meus vinte e poucos anos me permite ter, correr furiosamente para longe, fugir do que me prende, do que sufoca, do que irrita.
E eu bato de frente com você, com toda a paz que sua voz me transmite, uma voz que me transporta, como um passe de mágica para o paraíso real. Tal lugar que só o amor pode levar. E se você me acompanha, eu desejo que o engarrafamento nunca acabe. Porque de tudo que tudo que me prende, você é o que me dá prazer. O prazer de estar em qualquer lugar onde você está.
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